terça-feira, 22 de maio de 2012

Cheios de charme


Não há menor dúvida que entre os produtos que já foram criados no Brasil, a novela é o que possui o maior destaque. Conhecida por suas grandes produções, esse entretenimento faz sucesso não só entre os espectadores do lado daqui, como também entre os “noveleiros de plantão” do resto do mundo.





Desde a exibição do primeiro folhetim na década de cinquenta até os dias atuais, muita coisa já mudou na teledramaturgia brasileira. Foram progressos significativos que acabaram pontuando de forma positiva todos aqueles envolvidos nessa nova arte.



Com temas polêmicos, tendências na moda e comportamentos diferenciados, as nossas produções sempre buscaram acompanhar a evolução social, política e financeira de nosso país. No entanto, no meio de tanta transformação há de se perceber que foi mantida, e por vezes até atrofiada a imagem de determinados grupos de seu próprio povo.




Digo isso, pois desde que me entendo por gente nunca assisti nenhuma novela onde o nordestino não fosse caracterizado como alguém grosso, burro, violento e desbocado.



Sem contar no velho modo de falar que esses repetitivos caricatos personagens insistem em se apresentar toda vez que são mencionados na trama. É como se um nordestino do Ceará fosse exatamente igual ao nordestino de Pernambuco, e assim seguisse no mesmo padrão todo o resto dos demais estados do nosso Nordeste.


Esse tipo de imagem que a televisão recria erradamente sem perceber coloca em risco toda a verdadeira cultura e costumes enraizados de nossa gente. E o que é pior: ela nos impede de nos vermos, e sermos vistos também como seres educados, inteligentes, pacíficos, e acima de tudo capazes de conseguir manter um bom nível de conversa sem precisar apelar para um linguajar xucro.


Construir personagens estereotipados não garante sucesso em horário nobre, mas alimenta preconceitos de visões distorcidas de quem se quer sabe entreter seu próprio público.


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